• PREMIADOS •

MELHOR FILME

COMPETITIVA INTERNACIONAL       

“E as coisas não acontecem rapidamente. As coisas não são vistas rapidamente. Não é visto com os olhos. Só é sentido com o nariz. Só escutado com a orelha.”

 

Em um momento de excessiva visualidade, com a multiplicação de telas e olhos como possibilidade de contato nessa experiência pandêmica, o filme nos traz outras possibilidades de apreensão e contato com o mundo. A partir de uma câmera que, como um nariz, movimenta-se cheirando a matéria filmada, e entendendo o mundo e os seus saberes com o corpo, o filme nos aproxima de um segredo manifesto através de uma das cosmologias ameríndias, aprofundada de forma subjetiva, tensionando, ainda, a narrativa histórica que circunda a tradição cocalera, desmontando assim visões hegemônicas e coloniais acerca da folha da coca, seus usos e simbologia. Por todos esses motivos que nos conduziram a uma experiência imersiva e impactante, escolhemos por unanimidade "Jíibie", de Laura Huertas Millán, como o Melhor Filme da Competitiva Internacional do 22º FestCurtasBH.

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  "Jíibie", de Laura Huertas Millán (Colômbia / França, 2019)   

 

 

 

 

MENÇÃO HONROSA

COMPETITIVA BRASIL                  

 

A cena de abertura nos mostra um diretor que está em contato íntimo com espaços e rostos, algo que veremos no desenrolar através de um enunciado sutil sobre vida e morte. No passar do curta, testemunhamos um senso forte de ritmo e tempo como um elemento precioso em um lugar onde uma jovem vida pode ser roubada em um segundo. Um tributo à realização cinematográfica como uma prática passional que ativa o passado através de camadas de memória, narrativa e arquivos pessoais. Neste filme, aprendemos a apreciar e tocar as complexidades das dinâmicas familiares através de gerações e entre parentes. Damos a "Entre nós e o mundo", de Fabio Rodrigo uma Menção Honrosa na Competitiva Brasil.

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  "Entre nós e o mundo", de Fabio Rodrigo (São Paulo - BRA, 2019)   

 

 

 

 

MELHOR FILME

COMPETITIVA BRASIL                  

 

Cores em roupa, pele e cabelo se igualam ao brilho imenso de cada personagem. Uma meditação pacífica sobre a existência de mulheres em um país que não quer vê-las prosperando. Um reconhecimento especial à impactante fotografia de Lílis Soares, cuja aproximação tátil é sensível a texturas e luz mas também à alegria, resiliência e generosidade do corpo feminino, seja em espaço público ou íntimo. Enaltecemos os diálogos que nos encantam com um humor preciso, enquanto simultaneamente mantém um olhar atento à raça e um corpo político maior, especialmente no significado moral das escolhas diárias. Se balançam múltiplos momentos cotidianos através de uma mistura cinematográfica de testemunho documental e performance elegante. Em apenas 22 minutos, assistimos cenas completas que nos trazem profundidade na experiência feminina de compaixão, medo e ansiedade. Por todas estas razões, damos a "Minha História é Outra", de Mariana Campos o Prêmio Principal da Competitiva Brasil.

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  "Minha história é outra", de Mariana Campos (Rio de Janeiro - BRA, 2019)   

MELHOR FILME

COMPETITIVA MINAS                  

 

Pela elaboração inventiva de uma instância que acolhe a performance popular e pelo desdobramento proposto da expressividade destas personagens entre o ambiente doméstico e o bar. Pela conexão entre o musical e o karaokê capaz de embaralhar distinções apressadas entre alta e baixa cultura e pela figuração da música como encontro de gerações e sedimentação de laços de comunidade, o prêmio de Melhor Filme da Competitiva Minas vai para "Diz que é verdade", de Claryssa Almeida e Pedro Estrada.

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  "Diz que é verdade", de Claryssa Almeida & Pedro Estrada (Belo Horizonte - MG, 2019)   

 

 

 

 

MELHOR FILME

JÚRI POPULAR                          

O filme escolhido pelo público através da votação do Júri Popular foi "O que pode um corpo?", de Márcio Picoli e Victor di Marco, da mostra paralela Corpo Político.

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  "O que pode um corpo?", de Márcio Picoli & Victor di Marco (Rio Grande do Sul - BRA, 2020)