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  • Catharine Borges

Fazendo-se companhia

Sobre o filme Dessa vez você não volta


Na letargia dos dias solitários, o personagem se obriga a preencher seus dias com a rotina. O filme nos traz o incômodo da personagem principal, que enfrenta sua nova realidade dos dias de solidão a partir da perda de alguém. Pela perda da saúde do mundo. Da liberdade arrancada por um vírus. Pela possibilidade do adeus precipitado a tantos queridos.


O diretor usa da potência da paleta de cor, para dialogar com o espectador sobre a dor e o sofrimento silencioso vivido pelo personagem. A cor verde, em todos os planos talvez como ferramenta para passar a mensagem que em meio à solidão há vida, há possibilidade de esperançar por dias menos letárgicos.


Ao longo do filme, a cor mais presente passa a ser o azul, a agonia sufocante da personagem se esvai, até que ela encontra certo conforto e companhia em sua própria solidão e realidade. O azul, cor presente no espectro de cores, a cor que nos que está associada calma e confiança. O filme nos conduz em sua cadência pausada, uma alegoria da tempestade que vivemos nos últimos anos de pandemia, e mesmo em meio ao caos, a mortalidade da vida, o apego a ela nos permite seguir em frente e caminhar, mesmo no desconhecido, mesmo com medo, mesmo sozinho a espera do outro.

 

Este texto foi produzido como parte da oficina Corpo Crítico 2022 – Um Braseiro: "Quando um muro separa, uma ponte une", ministrada por Ingá Patriota e Fabio Rodrigues Filho, durante o 24º FestCurtasBH.


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