CAPA_2022_fim.jpg

[2021]

CORPO CRÍTICO •

por Ingá e Fabio Rodrigues Filho

ENTRE POLÍTICAS DA AMIZADE E ENSAIOS DA TRAIÇÃO

Um ponto de partida: poderia a crítica de cinema ser pensada a partir da noção de amizade? Se nossa época anda marcada pelo desejo do inimigo, pela fantasia de extermínio, propomos quatro encontros com o intuito de elaborar práticas capazes de trair o pressuposto de autoridade que ameaça o exercício desobediente da crítica. O que seria uma política da amizade com as obras? Inspirando-nos, talvez, naquilo que da amizade é desafio ético e político, generativo e dissensual, proximidade e distância.

 

Uma sugestão: pensamos que a noção de traição aplicada à crítica pode reavivar a dialética da crença e da dúvida em relação às obras – método de aprendizado, de provocação e de colocar-se junto às obras em perigo. Ao mesmo tempo, a traição desestabiliza um possível romantismo em relação ao nosso ponto de partida, isto é, as políticas da amizade. Imprevisível dança do contato, que, longe de procurarmos coreografar, nos permitiremos ensaiar juntas, em diálogo. Nesta oficina, pretendemos exercitar formas de reverberar, de discutir e de pensar a programação do 23º FestCurtasBH ao longo de quatro encontros, cada um com 2h30 de duração, permeados por práticas de correspondências, diários, textos coletivos, ensaios, relatórios de debates e formas imprevisíveis de conversar.

Ingá é redatora da revista Cinética, na qual tem se dedicado a investigar outros formatos de crítica, como a escrita coletiva e o vídeo ensaio. Fez a cobertura escrita dos festivais Janela Internacional de Cinema do Recife, Fronteira Festival do Filme Experimental e Mostra de Cinema de Tiradentes. Atuou facilitando oficinas de vídeo nos projetos Fazer o mundo, Fazendo o vídeo, Inventar com a Diferença, Vídeo nas Aldeias e Festival do Filme Anarquista da Kasa Invisível. Ministrou oficinas de crítica em parceria com o CachoeiraDoc e o IMS/Cinética. Programou sessões cineclubistas em parceria com o coletivo Catucá e integrou a comissão de seleção de curtas-metragens no XII Janela Internacional de Cinema do Recife. É natural de Olinda (PE), integra a brigada de educação do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem-Teto (MTST) e estuda licenciatura em cinema e vídeo na UFF.

Fabio Rodrigues Filho trabalha na crítica, programação, pesquisa e realização em cinema. Mestrando em comunicação na UFMG, graduou-se na mesma área na UFRB. Participou de comissões de seleção de festivais, mostras e laboratórios, a exemplo do FestCurtasBH (2019 - 2021), Diáspora Lab (2018) e do IX CachoeiraDoc (2020), festival junto ao qual vem contribuindo ao longo dos últimos anos. É membro dos grupos de pesquisa Poéticas da Experiência e do Áfricas nas Artes. Colabora com textos em sites, revistas e publicações diversas, a exemplo da Revista Cinética e do blog pessoal Tocar o Cinema. É também cartazista e cineclubista.