MASTERCLASS

SUB-VERSÃO: VIVER E RESISTIR EM MODO MENOR

Uma composição por Dénètem Touam Bona

A "sabedoria dos cipós" convida a uma prática de aliança entre formas de vida "menores". Menores, porque minoradas ou mesmo criminalizadas, mas também por pertencerem (como o marronagem) a uma arte da fuga, da esquiva, da camuflagem : um jogo de esconde-esconde, com múltiplas variáveis, que subverte papéis e lugares atribuídos, esboçando assim futuros alternativos. A "sub-versão" mobiliza a memória apenas para dela fazer uma potência fabulatória.

com Dénètem Touam Bona

mediado por Sebastian Wiedemann

data e horário 07 de novembro, 16h

Nascido em Paris, de pai centro-africano e mãe francesa, Dénètem Touam Bona faz parte dos autores "afropeus", de identidade fronteiriça, que buscam construir pontes entre mundos que torcem, ainda hoje, a “linha da cor”. Colaborador regular do Institut du Tout-Monde (centro dedicado à obra de Édouard Glissant), é autor de três ensaios filosóficos e literários: Fugitif, où cours-tu? [Fugitivo, para onde corre?], Cosmopoéticas do Refúgio e Sagesse des lianes. Cosmopoétique du refuge I [Sabedoria dos cipós. Cosmopoéticas do Refúgio I]. Em suas obras e projetos, Dénètem Touam Bona busca fazer da "marronagem" (a arte da fuga e evasão dos escravizados) um objeto filosófico por si só, uma experiência utópica a partir da qual se possa pensar o mundo contemporâneo. Nos últimos anos, ele tem colaborado regularmente em projetos criativos, principalmente como dramaturgo e no campo da dança, além de ter curado a exposição coletiva A sabedoria dos cipós (2021-2022), no Centre Internationale d'Art et du Paysage de Vassivière, em que busca implementar um "refúgio cosmopoético".

Sebastian Wiedemann é um cineasta-pesquisador e filósofo colombiano ou, como ele gosta de dizer, um praticante de modos de experiência cinematográficos. Ele é doutor em Práticas Artísticas e Aprendizagem (Unicamp) e leciona na Pontifícia Universidade Bolivariana (Colômbia). Seus trabalhos investigam cruzamentos limiares animados pelo cinema experimental e a filosofia, atentos a uma possibilidade de cinema-pensamento como ecologia poética viva, como superfície possível para a afirmação de uma Cosmopolítica da Imagem. Seus filmes já foram exibidos em diversos lugares do mundo e receberam retrospectivas no Brasil, Colômbia, Espanha e Irlanda. É também editor e curador da plataforma online Hambre | espacio de cine experimental que se concentra em experimentos críticos buscando diálogo com as novas tendências do cinema de vanguarda latino-americano e onde editou os livros La Radicalidad de la Imagen. Des-bordando latitudes latinoamericanas. Sobre algunos modos del cine experimental (2016) e Pensamientos migrantes: Intersecciones cinematográficas (2020).