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Performar para sobreviver?

Sobre o filme Procura-se Indianara


Na plasticidade cibernética no qual o filme se ambienta, conhecemos Indianara mulher queer e procurada por resistir e ser quem é. Uma mulher trans. Ela resiste, hackeia o sistema e sobrevive às margens da sociedade.


O curta nos convida à reflexão sobre o quão próximo do real esse futuro está para nós. Ou se é mesmo um futuro, ou apenas o passado e presente em uma roupagem mais dura.


Indianara sobrevive com o exercício árduo de resgate da memória para não se perder em meio à realidade inóspita à sua existência. Um mundo sem registro de memória, é um mundo que suga a alma de seus habitantes, tira dele sua humanidade e os transforma em objetos.


Mas como seriam tratados senão como objetos os corpos queers, pelo nosso sistema?


O que mais resta às existências que transbordam os limites e explicações biológicas do ser? Existências que são de fato, vida, pois não se reduzem à fisiologia, a parâmetros limitados de uma existência meramente biológica. É na cadência dos frames que a narrativa nos convoca a enxergar as transmutações de existências queers frente à nossa realidade distópica.


Ora, não é isso também que o filme nos convida a ver através de sua atmosfera plástica: a transmutação das existências queer frente à distopia da nossa realidade?

 

Este texto foi produzido como parte da oficina Corpo Crítico 2022 – Um Braseiro: "Quando um muro separa, uma ponte une", ministrada por Ingá Patriota e Fabio Rodrigues Filho, durante o 24º FestCurtasBH.


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