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SER VENTO

Texto sobre o filme "NOIRBLUE: deslocamentos de uma dança", de Ana Pi (2017)


Vento.

Nos acaricia a pele, arrepiando os cabelos – das bochechas aos pés. Sentimos-o, sem, no entanto, aprendê-lo. Escutamos seu sussurro. Nosso corpo é tocado atravessado alterado transformado pela matéria, invisível (?), presente.


O filme começa


saudando e agradecendo suas ancestrais.


Tela preta.


NOIRBLUE


Surge uma voz.


Escuta.


Aos poucos, surgem luzes coloridas A voz começa a dizer sobre a viagem A narração nos leva a sobrepor as imagens da tela com as da cabeça.


“Meu compromisso é estar” aparece a imagem o corpo de uma mulher negra, coberta por um véu que se comunica (traduzindo?) o vento “esse véu me revela o que existe escondido na história que me contaram.”


O corpo, integrando-se ao espaço, dança de guerra de fertilidade de cura O vento dança com o véu com a ausência com o tempo -“porque a gente tá no futuro”.


dança-espaço -signature


Corpos que assinam sua presença-existência-imagem na tela. Que olham e olham de volta.[1] Criando uma contra imagem, “como uma forma de conhecer o presente e inventar o futuro.”,[2] citando bell hooks.


O filme termina, pedindo benção também para as pessoas mais novas, que ainda estão por vir.


NOIRBLUE: deslocamentos de uma dança curta-metragem[3] que usa a linguagem do vento, para dizer do tempo e seu atravessamento no (s) corpo (s) , principalmente, daqueles cuja a imagem é demarcada pela ausência e apagamento.


Deslocando o olhos a linguagem habitual dos festivais o corpo


a imagem a ausência


“Talvez haja já um primeiro ponto aqui: brisa. No sentido do que pode o cinema: ser brisa.”[4] ou, no caso de Noir, ser vento.


“Quando o invisível torna-se visível o olho demora a acostumar."[5]

 

“Ao olharem e olharem de volta, as mulheres negras se envolvem em um processo por meio do qual vemos nossa história como uma contramemória, usando-a como uma forma de conhecer o presente e inventar o futuro.” Bell Hooks em O Olhar Opositivo – a espectadora negra.

Curta-metragem onde a coragem já começa na minutagem (27′).

Potente pontuação de Juliano Gomes no texto Carta ao Heitor (ou Desculpe a bagunça ou Ao mesmo tempo), publicado no site da Cinética em http://revistacinetica.com.br/nova/carta-ao-heitor-ou-desculpe-a-bagunca-ou-ao-mesmo-tempo/

Assim como essa, algumas frases do filme foram reproduzidas.

 

Texto crítico escrito por Maria Trika, integrante da 1ª oficina de crítica cinematográfica, Corpo Crítico, intitulada "Por Um Deslocamento do Olhar", ministrada pela crítica e pesquisadora Carol Almeida, durante o 20ºFestCurtasBH - Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte.

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